É difícil lidar com as diferenças né? O famoso choque cultural. Vou contar um pouquinho da minha história e do que fizemos para lidar com as mudanças.
Como vocês sabem sou casada com um argentino e a diferença inicial e totalmente adaptável foi com relação à alimentação. O prato principal dos argentinos é a carne e para nós brasileiros a carne é apenas uma mistura, o arroz e o feijão é nosso pão de cada dia. Lembro-me que na primeira refeição eu servi com o arroz apenas um bife grelhado e ele me olhou assustado e disse: O que vou fazer com isso? A adaptação foi rápida e hoje comemos normalmente arroz, feijão e pelo menos dois bifes né, fora todas as outras coisas maravilhosas da nossa culinária.
Eles têm outro hábito que não temos, pelo menos aqui em SP que é tomar mate (chimarrão), tomam no calor, frio, chuva etc. são viciados nisso, fazem uma rodinha, sentam para tomar mate e conversar, até no trabalho tem esse costume. Claro que aqui não foi possível e meu marido toma mate apenas quando vamos para lá, umas 3x ao ano.
O idioma, essa é a mudança mais radical e como ele vive no Brasil rapidinho correu atrás, comprou um dicionário e começou arriscar. Depois de 01 ano já falava o português perfeito, claro que com sotaque né? Isso é difícil perder. Eu também falo castelhano, não perfeito como ele fala o português, mas tenho muito vocabulário e entendo perfeitamente a todos quando estamos lá. Afinal de contas minha família só fala esse idioma e tenho que conseguir me comunicar né?
Não preciso nem falar que SEMPRE escuto piadas por ser casada com argentino e quero deixar claro que a rivalidade é muito maior da nossa parte, achava que era de igual para igual, mas não, nós que alimentamos isso e quem conhece a Argentina sabe, eles amam o Brasil e tratam todos os brasileiros muito bem. Se existe alguma rivalidade é apenas no futebol, lembrando que eles admiram demais o futebol brasileiro.
O maior motivo de discussões no início foi quanto o nosso jeito de ser, às vezes falamos mal de alguma coisa ou pessoa e na sequência encontramos essa pessoa e conversamos como se nada tivesse acontecido, isso deixava ele louco, ele falava no começo que éramos falsos, que não gostávamos de uma pessoa e convivíamos com ela, que para ele se não gosta não gosta e ponto final. Tive que aos poucos explicar que aqui é assim, ou melhor, as pessoas são assim e pronto, o tempo foi ajudando, mas mesmo assim ele não concorda com muitos dos nossos comportamentos.
Uma coisa que foi muito bom e que nós brasileiros não estamos acostumados, pelo menos eu não estava é saber lutar por nossas coisas, pelos nossos direitos. Falamos pouco, somos tolerantes e eles não! Brigam, fazem panelaço e tiram uma pessoa do poder se for o caso. Esse comportamento que ele trouxe para cá me ensinou muito, hoje sempre fechamos o melhor negócio e pelo menos ele ninguém passa para trás.
E para não me estender mais vou finalizar com a diferença mais drástica para mim: a questão financeira. Sempre fui consumista, gastava além da conta e não tinha nenhuma educação financeira, juntar dinheiro então nunca! Pois é, sofri muito, brigamos bastante, mas hoje aprendi que não tem necessidade de comprar três sapatos, que não preciso ter o celular mais caro, um milhão de bolsas e sim uma casa própria, um carro na garagem, dinheiro na conta, lazer e entretenimento e não é que não compro nada, pelo contrário, tenho tudo que quero, mas compro bem, pesquiso antes e espero o melhor momento e local para comprar. Isso eu aprendi e graças a ele nunca mais tive conta negativa, cheque devolvido e fatura de cartão só pago o total. Sou bem mais feliz assim.
Sem falar das viagens, amamos viajar e não passamos um período de férias em casa, sempre conhecendo países novos, culturas novas, etc.
Mas enfim, loiro, moreno, alto, baixo, gordo, magro, gringo ou não eles são HOMENS e por mais diferenças que existam no fundo acabam tendo comportamentos muito parecidos afinal de contas lembremos aquele velho ditado: HOMEM É TUDO IGUAL.
E com vocês, foi muito difícil se adaptar com as mudanças?



Um Comentário Trackback URL | Comments RSS
agosto 1st, 2011 at 12:05 pm
Nem sempre é facil pra nos adaptarmos com culturas diferentes da nossa, mas com amor e boa vontade nao fica tao dificil, neh?
Beijinhos!
Carol